quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A inversa dos estereótipos

Lá vai a moça toda enfeitada, linda e maravilhosa (vulgo gostosa) atravessando a rua, sem fazer nada, apenas atravessando, era Zuleica.
Tá o nome não correspondia a beleza da moça, mas acreditem ela era uma formosura de moça, daquelas de parar o trânsito, uma morena de cabelos cacheados, seios firmes (talvez siliconados, hoje todo mundo põe, não dar para ter certeza), as ancas quase não cabiam na calça, redonda e empinada, olhos cor de mel, e a boca mais perfeita que já vi na vida.
Eis que, do nada, surge Janjão (do caminhão) o moço truculento e sem papas na língua. Chegou, olhou para o lado, suspirou, alisou a barriga e foi logo dizendo.
- Nossa Senhora! Isso lá em casa eu caia matando todo dia e toda hora. Casa, comida e roupa lavada. Topa?
Como Zuleica era moça direita e não aceitava desaforo e homens metidos a engraçadinhos foi logo rebatendo.
- Olha aqui! O Senhor chega com este palavreado chulo, descabido, e em péssima hora.
- Mas, o que te preocupa belezura, vamos ali tomar uma cervejinha e prosear sobre a vida.
- Meu Senhor!
- Senhor tá no céu. Janjão, a seu dispor...
- Janjão, você acha que eu sentaria no bar para prosear com um rapaz que chega, do nada, com uma cantada machista destas.
- Mas o que é isto meu bem.
- Meu bem, não. Meu nome é Zuleica, e não sou seu bem. Sou estudada, tenho diploma de Jornalismo (como se valesse alguma coisa), doutorado em Stanford e nem que você fosse o último homem na face da Terra, iriamos ter alguma coisa.
Neste momento Janjão começou a chorar. Não suportou aquelas palavras duras de Zuleica. Visualizando aquela cena, de um brutamontes chorando, Zuleica se sentiu tocada e pensou com seus botões. - Nossa, um homem sensível, acho que ele não deve ser de todo mal, foi logo tentando reparar o feito. Mudou até o tom de voz (e que linda voz tinha Zuleica)
- Não chora Janjão. Não disse por mal...
Janjão estava aos prantos (vai saber o real motivo do rapaz, talvez ele fosse mesmo sensível), sim, sim, neste momento estava soluçando de tanto chorar.
- Aaaaii, me desculpa moça, não disse por mal.
- Janjão, acalme-se. Enxugue estas lágrimas e vamos até ali tomar aquela cervejinha.
Janjão deu aquela cafungada, enxugou as lágrimas na camisa e lá se foram eles para o bar.

Algumas horinhas se passaram, Janjão e Zuleica descobriram que tinham mais coisas em comum do que imaginavam, seus pais se conheciam de umas férias em Porto de Galinhas, suas irmãs frequentavam a mesma faculdade e Janjão fizera o seu doutorado em Harvard (vai saber o que ele estava fazendo dentro de um caminhão).
Na saída, pareciam amigos de infância, a moça que não era destas, já não tava nem aí pra nada, a mão boba corria solta e dali foram para a casa de Zuleica.

Depois daquele dia não vi mais Zuleica e Janjão, não sei se foram felizes para sempre, se tiveram muitos filhos ou simplesmente uma foda homérica naquela sexta-feira pós-expediente. Caso alguém tenha notícias de Zuleica ou Janjão, favor comunicar.

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